Bracher “Pintura & Permanência”

Igreja de São Francisco de Assis- São João del Rey

Igreja de São Francisco de Assis  em homenagem a Aleijadinho

 

Há toda uma atmosfera envolvendo a pintura de Carlos Bracher. Não se trata, apenas, de pinceladas. Para um quadro existir é preciso que esteja tocando uma música específica, em um ateliê coberto por tinta e completamente bucólico. Reverenciado no país e no exterior, o artista oferece, agora, a chance de que seu universo seja amplamente conhecido na exposição “ Bracher

Exposição no CCBB SP

Exposição no CCBB SP

 

 

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A exposição “Bracher – Pintura e Permanência” é uma retrospectiva da extensa carreira do reconhecido pintor mineiro, Carlos Bracher. Além de pinturas,estão expostos desenhos, livros, catálogos, fotos, objetos pessoais e poemas de sua autoria.

86 obras do artista passam por todas as suas fases:

• A obscura e questionadora dos anos 60;
• A cubista dos anos 70;
• O romantismo dos anos 80;
• O modernismo caótico do anos 90;
• A maturidade artística e coroamento de seu estilo tempestuoso dos anos 2000.

A mostra inclui autorretratos – uma de suas marcas registradas –, paisagens marinhas, naturezas-mortas, cenas do cotidiano, e as séries “Homenagem a Van Gogh”, “Do Ouro ao Aço”, “Brasília” e “Petrobras”.

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Auto-retrato

Auto-retrato

 

 

Nesses quase 60 anos dedicados à pintura, recebeu, entre inúmeros outros, a láurea máxima do Salão Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, colocando-o entre os 10 artistas de maior influência nas Artes Plásticas, ao lado de Siron Franco, João Câmara e Tomie Ohtake.

Pela primeira vez, o pintor tem exposição interativa, com espaço multimídia e cenografia. No espaço multimídia, pinceladas intensas e a própria voz do artista, com textos de sua autoria, contribuem  para a imersão do público em seu universo. O Castelinho dos Bracher, em Juiz de Fora, onde o artista passou a infância e juventude, ganha forma, e permite a circulação dos visitantes. A coletânea de obras está exposta em ambientes assinados pelo premiado cenógrafo Fernando Mello da Costa com painéis e instalações como a reprodução do famoso ateliê de Ouro Preto. Os visitantes podem, ainda, participar e acompanhar o processo catártico e explosivo do artista, por meio de intervenções ao vivo.

Curadoria: Olívio de Tavares Araújo e Carlos Bracher

 

 

 

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O artista
Aos 74 anos, Carlos Bracher, mineiro nascido na cidade de Juiz de Fora e casado com a pintora Fani Bracher, é o artista brasileiro que mais expôs no exterior, realizando exposições individuais há mais de 40 anos, em galerias e museus de Paris, Roma, Milão, Moscou, Japão, China, Londres, Rotterdam, Haia, Madri, Lisboa, Montevidéu, Santiago do Chile, Bogotá e Kingston. Sobre seu trabalho já foram publicados sete livros e realizados dezenas de filmes e documentários.

 

Na década de 90 iniciou uma sequência de Séries Temáticas. A primeira lhe deu projeção internacional. Em 1990, Bracher percorreu os caminhos do também pintor expressionista Van Gogh, realizando a série “Homenagem à Van Gogh”, com 100 telas pintadas no centenário de morte do artista, dando vazão a uma paixão de adolescência. A partir da série, o artista foi convidado a expor em importantes museus da Europa, América e Ásia. Em 1992 lança seu olhar ao mundo industrial, pintando a série “Do Ouro ao Aço”, sobre a siderurgia em Minas Gerais.

Na série “Brasília”, de 2007, faz homenagem a Juscelino Kubistchek, pintando 66 quadros nas ruas e esplanadas da capital expostos no Museu Nacional, projeto de Niemeyer. Em 2012, realiza a série “Petrobras”, imprimindo visão artística ao mundo industrial do petróleo. Pinta, in loco, as principais refinarias da empresa com a produção de 60 obras, entre pinturas e aquarelas.

Agora, em 2014, data dos 200 anos da morte de Aleijadinho, acaba de realizar a série “Aleijadinho”, fazendo uma releitura contemporânea sobre a obra do grande mestre do Barroco. Atualmente uma retrospectiva com 50 quadros, produzidos entre 1961 a 2006, percorre diversas cidades europeias, já tendo sido expostas em locais como Moscou, Frankfurt, Praga, Estocolmo, Bruxelas, Bruges, Basilea, Dusseldorf, Luxemburgo e Gotemburgo. (Mauro Morais)

 

 

O caminhão

O caminhão

 

 

 

Obras que homenageiam Aleijadinho

 

 

 

 

Homenagem a Aleijadinho

Homenagem a Aleijadinho

 

 

 

Pintor, desenhista e escultor. Carlos Bernardo Bracher (Juiz de Fora MG 1940) é filho do professor e compositor Waldemar Bracher e tem dois irmãos pintores, Décio e Nívea. Aos 13 anos, começa a pintar vasos e pratos na fábrica de louças de seu pai. Freqüenta a Sociedade de Belas Artes Antônio Parreiras, em Juiz de Fora, por volta de 1957. Entre 1965 e 1966, em Belo Horizonte, estuda composição e análise crítica com Fayga Ostrower e história da arte com Frederico Morais, na Universidade Federal de Minas Gerais, UFMG.

 

 

Bracher no Castelinho dos Bracher

Bracher no Castelinho dos Bracher

 

Aprende técnicas de mural e de mosaico com Inimá de Paula, na Escola Municipal de Belas Artes, em Belo Horzonte, e tem aulas com Orlandinho Seitas Fernandes sobre barroco mineiro. Em 1967 recebe o Prêmio Viagem ao Exterior do Salão Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro e vai à Europa estudar pintura, permanecendo por um ano e meio em Paris e seis meses em Lisboa, onde estuda a obra de Almada Negreiros e de Fernando Pessoa. 

Fez temporada de pintura na cidade de Monsaraz, no Alentejo. Esta série foi exposta no Palácio Foz de Lisboa e no Museu de Évora, com apresentação de Otto Lara Resende. Percorre onze países europeus e visita os Estados Unidos. Em 1968, ganha o Prêmio Revelação do Ano, concedido pelo Jornal do Brasil, no Rio de Janeiro. 

Retorna ao Brasil em dezembro de 1970, e a partir de fevereiro de 1971 fixa residência em Ouro Preto MG, empreendendo e desenvolvendo várias fases de seu trabalho. Com grande intensidade, a partir de 1971 expõe em inúmeras galerias e museus do país. É premiado com o Hilton de Pintura, prêmio concedido pela Funarte aos dez artistas que mais se destacaram no Brasil, na década de 70, junto com Tomie Ohtake, Siron Franco e Cláudio Tozzi. 

Larissa e Blima, filhas de Bracher

 

 

 

Série Brasília

Série Brasília

 

 

 

Brasília

Brasília

 

 

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Dois Vasos de Flores 1994

Dois Vasos de Flores 1994

 

 

 

Ouro Preto

Ouro Preto

 

 

Crônica de Artur Xexéo

 

Coluna de O Globo  2010

Juro que não vou transformar esta coluna numa página de recordações de minha mãe. Mas quis o destino que, esta semana, uma de suas características voltasse a me assombrar. Minha mãe talvez tenha sido a maior colecionadora de artes plásticas sem importância deste país. Diante de nosso assombro diante da última escultura ou tela que tinha comprado, ela sempre nos rebatia com uma frase infalível:
— Isso ainda vai valorizar muito.
E, assim, de quinquilharia em quinquilharia, ela ia preenchendo as paredes lá de casa. Vez ou outra, a gente admitia que este ou aquele quadro tinha algum valor, mas isso nunca se comprovou no mercado de artes. De todas as telas desimportantes que minha mãe adquiriu na vida, as compradas em Ouro Preto, na década de 1960, época em que morávamos em Juiz de Fora, tinham sua predileção. Havia uma em especial, que retratava a fachada de uma igreja da cidade, à qual ela dedicava mais atenção.
— Isso ainda vai valorizar muito.
A gente ouvia, concordava e deixava com que ela ficasse na ilusão.
Na última segunda-feira, saindo da GloboNews, encontrei-me com uma senhora simpática.
— Você é o Xexéo?
— Sou!
— Você tem alguma ligação com Juiz de Fora?
— Tenho.
— Você é filho do Coronel Xexéo?
— Sou — respondi, já intrigado com o interrogatório. Onde é que aquilo ia parar? A senhora se apresentou.
— Meu nome é Fani, sou mulher do pintor Carlos Bracher. Em 1968, ele vendeu um quadro para o seu pai. Era a fachada de uma igreja em Ouro preto…
Meu Deus, aquele quadro era um Bracher? Fani não sabe, mas não foi meu pai quem comprou. Quer dizer, ele deve ter comparecido financeiramente. Mas quem escolhia as obras de arte lá de casa era a mãe. Ela tanto investiu que acabou arrematando um Bracher?
— A gente está fazendo um levantamento de toda a obra dele. A melhor fase dele é a de 68. Ele está muito valorizado nos leilões da Soraya Cals. Ele fala muito daquele quadro que seu pai comprou…

Como atesta o crítico Olívio Tavares de Araujo, “a observação retrospectiva da produção pictórica de Bracher é um dos argumentos, uma das provas conclusivas de que todas as técnicas e linguagens, quando sabiamente usadas, estão destinadas à permanência.” Minha mãe, então, adquiriu uma obra “destinada à permanência?”

Quantas outras obras permanentes não farão parte daquela coleção que a gente julgava de quinquilharias?

Dona Fani quer muito fotografar o quadro da minha mãe para o levantamento de toda a obra de Bracher que ela está fazendo. Mas… que fim levou aquele quadro?

Desde então, não faço outra coisa a não ser procurar o Bracher da família e constatar: não é que minha mãe deu uma dentro?

 

 

Obra da família de Artur Xexéu

Obra da família de Artur Xexéu

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