Castello Di Ama, onde o Vinho e a Arte Contemporânea se harmonizam.

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“Sulle vigne: punti di vista” (2001), Daniel Buren.

 

E quando no seu caminho em busca do Vinho, você encontra o Pão?

Aquele que sacia a Alma: A ARTE!

Que permanece em teus devaneios e que te transforma.

Acompanha as tuas lembranças e que também te mantém refém em um estado igual de embriaguez.

E em meio de vinícolas de mil anos, você se vê, oh jovem mortal!……duplicado, triplicado nos espelhos de Daniel Buren, que te incorporam à paisagem e te fazem personagem desse reino que se perpetuará.

 

Castello di ama buren 3

“Sulle vigne: punti di vista” (2001), Daniel Buren

 

Você é grande ou pequeno? E por quanto tempo e em que Tempo?

Caminhar por pedras coloridas ou menos coloridas, assim é a vida, com mais cores radiantes um dia e menos visíveis em outros.

 

Castello Di Ama Pascale Marthine Tayou, Le Chemin du Bonheur, Castello di Ama, 2012, photo Valentina Grandini 5

 

As ninfas estão por toda a parte e há uma iluminação especial para que achem o seu refúgio e que se mirem e se conheçam olhando seus reflexos no espelho.

 

Castello Di Ama 2

Michelangelo Pistoletto

 

Penso que existe uma cavidade onde busco a energia que vem de dentro da terra, e quando olho para cima, lá está o Céu para as minhas preces.

 

Castello di Ama anish-kapoor-ama The chapel that houses Even Anish Kapoor’s “Aima” 2004, left, and the interior of the chapel with Kapoor’s work, right.

Aima (2004) de Anish Kapoor

 

Saiba que os Anjos protegem aqueles que dividem o Pão……

 

Castello di Ama kabokov-observer Detail of Ilya & Emilia Kabakov’s The Observer” 2010)as seen through the telescope during the day

The Observer (detail), 2010 de Ilya & Emília Kabakov

 

……e que o muro de Carlos Garaicoa nos separa das infâmias, mas também nos guarda a Paz.

 

Castello di ama Carlos Garaicoa’s “Yo no quire ver mas a mis vecinos” (2006) and the landscape around Castello di Ama (all photos by the author for Hyperallergic unless otherwise noted)

“Yo no quiero ver mas a mis vecinos” (2006), Carlos Garaicoa’

 

Informo que são duas, as donas desse Castello Di Ama, uma delas habita em uma cisterna. Só agora que sabemos de sua real existência, mas ela vive há muito dentro do nosso feminino.

 

Castello di Ama Louise Bougeois Topiary  2009

Louise Bourgeois, “Topiary” (2009)

 

Porque aqui, nesse Castello Di Ama, eu celebro a Vida com a Arte, onde meu passado se confraterniza com o hoje e que vai permanecer nas vinhas de nossa Alma.

 

Castello Di Ama Kendell Geers, 2003, Castello di Ama, photo Valentina Grandini

Love Revolution de Kendell Geers, 2003

 

Foi assim que eu entendi as escolhas de Lorenza e Marco Pallanti no Projeto “Castello Di Ama per L’Arte Contemporânea”.

 

Castello di Ama - arte ambientale sulle colline del chianti in p

Lorenza Sebasti e Marco Pallanti.

 

Foram buscar entre os mais renomados artistas da área, obras que dialogassem e que não perturbassem a paz e a ordem do Senhor Tempo.

 

Castello di Ama 3 o castelo

Castello Di Ama

 

Repleta de simbologias, vamos apreciar essa coleção que é composta das obras de Michelangelo Pistoletto, Daniel Buren, , Giulio Paolini, Kendell Geers, Anish Kapoor,  Chen Zhen, Carlos Garaicoa, Nedko Solakov, Cristina Iglesias, Louise Bourgeois, Ilya & Emilia KabakovMarcella Vanzo e Giovanni Ozzola.

 

Castello di Ama foto de Antonio Galoni

Castello Di Ama

 

“Castello di Ama fica num pequeno povoado de Gaiole em Chianti, província de Siena. Além dos 90 hectares de vinhedos, a grande maioria Sangiovese, o Castello di Ama também tem 40 hectares de olivais, o que corresponde a nove mil oliveiras. A produção de azeite extra-virgem é de menos de um litro por planta, o que resulta num azeite extremamente frutado e elegante.”

Lorenza Sebasti e seu marido Marco Pallanti  são donos dessa propriedade que desde de 2000 se tornou sede permanente de instalações artísticas com o projeto “Castello di Ama per L’Arte Contemporanea”.

Começaram a procurar entre os maiores artistas contemporâneos do mundo, obras que poderiam complementar e se inserir na propriedade como se continuassem e fossem se transformando com esse diálogo entre o novo e o antigo e que pudéssemos escutar as mensagens que são atemporais, mesmo que em novas formas.

Mario Pallanti, o co-proprietário do Castello Di Ama, explica que ele vê essas obras como se estivessem brotadas do terroir como as suas uvas , formadas nos morros da Toscana.

A cada ano, obras de novos artistas são adicionadas à coleção do Castello di Ama. Em 2001, foi a vez de “Sulle vigne: punti di vista”, do artista conceitual francês Daniel Buren. Entre outros que se seguiram estão “La Lumière intérieur du corps humain”, do chinês Chen Zhen e “Topiary”, de Louise Bourgeois.
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Castello di Ama foto melhor de Michelangelo Pistoletto a foto da árvore

“L’albero di Ama. Divisione e moltiplicazione dello specchio” (2000). Michelangelo Pistoletto

 

“L’albero di Ama”, de Michelangelo Pistoletto, foi a primeira obra a ser exposta no Castello di Ama. Pistoletto é considerado pelos críticos um dos maiores nomes do movimento artístico Arte Povera, que se desenvolveu na segunda metade da década de 1960, na Itália. O uso de materiais simples e muitas vezes coletados, como trapos, madeira, cordas e jornais, e o intuito de reduzir as barreiras entre o mundano e a arte são as principais características desse movimento. “L’albero di Ama” traz uma imagem sintética e poderosa, um trabalho dentro da dialética da unidade e da divisão do espelho. O tronco da árvore recolhe no seu interior o espelho infinito do pensamento. Por fora, a casca é opaca, mas a multiplicidade do pensamento está refletida no interior.”

 

 

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“L’albero di Ama. Divisione e moltiplicazione dello specchio” (2000). Michelangelo Pistoletto.

 

“From the main entrance of the old cellars of the Castle of Ama, we can see a great trunk standing at the end of the staircase. Inside a fissure along the diameter of its trunk has been inserted a mirror (as a sort of lesion), cut in various angles so as to produce different refraction. Michelangelo Pistoletto confronts us with a powerful and synthetic image, a work on the dialectic between the unity and division of the mirror. On the surface the rind is opaque, while inside the light of the mind reigns. The trunk is the uniqueness, the matter; the interior is the forest, and the internal mirror multiplies itself in the repeated refraction of light, until it reaches the infinite.The internal part is also the place where the time marks and draws the tree’s age, in circles. With this simple and deep image, Pistoletto reminds us that the thought is always placed inside the physicality of the body.

 

Catello di Ama chen zhen, la lumière intérieur du corps humain, 2005, castello d'ama

La Lumière intérieur, Chen Zen

 

A obra de Chen Zen se impõe de uma maneira marcante, é universal, mas também profundamente chinesa.

Um lustre feito de esculturas de vidro que representam os órgãos do corpo humano que o artista resolveu fazer no meio das barricas de vinho.

 

Castello di Ama Chen Zhen - La lumière intérieure du corps humain 2 de noite tem q colocar

La lumière intérieur, Chen Zen.

 

Castello di ama chen zen lustre visto de baixo

 

Castello di Ama Pascale Marthine Tayou e Marco Pallanti, photo Valentina Grandini

Castello di Ama Pascale Marthine Tayou e Marco Pallanti, photo Valentina Grandini.jpg

 

“Le Chemin du Bonheur”, do artista Pascale Marthine Tayou que  achou o castelo muito bonito, mas faltava cor e pintou algumas pedras na ladeira. Ao longo do caminho tem mais pedras pintadas e  mais coloridas que em outras partes. O artista diz acertadamente que é assim  o caminho da vida, as horas que tem mais graça, tem mais cor.

 

 

Castello Di Ama Pascale Marthine Tayou, Le Chemin du Bonheur, Castello di Ama, 2012, photo Valentina Grandini 4

Castello Di Ama Pascale Marthine Tayou, Le Chemin du Bonheur, Castello di Ama, 2012, photo Valentina Grandini 4.jpg

 

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“Sulle vigne: punti di vista”( 2001), de Daniel Buren.

 

Um dos mais impactantes trabalhos do Castello Di Ama, é sem dúvida: “Sulle vigne: punti di vista”( 2001), de Daniel Buren. Uma parede de espelhos com janelas quadradas emolduradas com listras de mármore preto e branco. Diferente de seus outros trabalhos que sempre parecem interromper o espaço, esse reflete a paisagem e transforma a experiência do visitante, que já é maravilhosa, em algo inacreditavelmente mais lindo e mágico. Ele se incorpora aos dois mundos e se cristaliza por alguns momentos na História.

 

Castello Di Amma foto principal Daniel Buren, 2001, Castello di Ama, photo Valentina Grandini

“Sulle vigne: punti di vista”( 2001), de Daniel Buren.

 

 

 

Castello di Ama Giulio Paolini’s “Paradigma” (2002)

Giulio Paolini: “Paradigma” (2002).

 

Giulio Paolini, foi o terceiro artista a ser convidado e escolheu um pequeno cômodo da Villa, cuja pavimentação atraiu a sua atenção e apelou para a sua imaginação.

Criou um trabalho de ferro e pietra serena, que é um arenito de cor cinza, muito utilizado em arquitetura. Não usou materiais com os quais costuma trabalhar, mas criou um trabalho que exibe todo o seu usual rigor com as formas clássicas geométricas.

 

Castello Di Ama Giulio Paolini, 2002, Castello di Ama, photo Valentina Grandini

Giulio Paolini’s “Paradigma” (2002).

 

 

 

Castello di Ama Louise Bourgeois topiary foto de perto

Louise Bourgeois, “Topiary” (2009) in a darkened grotto under Castello di Ama.

 

O trabalho de Louise Bourgeois  está em um mundo reservado, intimista, que nos surpreende com uma modernidade inesperada e que se mescla com temas de sexualidade e solidão.

Bourgeois escolheu para instalar sua Topiary em uma cisterna estreita, dentro das antigas adegas do Castelo.

Uma escultura de mármore rosa, com menos de 70 cm de altura. Um corpo de mulher ajoelhado e no lugar da cabeça surge uma flor esplendorosa.

Como se florescesse e se iluminasse com  a água que cai banhando o pálido rosa de seu corpo em mármore.

 

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Topiary, 2009. Louise Bourgeois

 

 

Castello Di Ama Cristina Iglesias, 2008, Castello di Ama, photo Valentina Grandini

Cristina Iglesias’s “Toward the Ground” (2008)

 

“Towards the Ground”

Sendo uma mulher, Cristina Iglesias entende que a Terra é feminina, fecunda e generosa. Representa a Terra como um útero, fonte da vida.

Ela colocou o seu trabalho em um lugar isolado, silencioso, austero e muito íntimo.

A Fonte representa a vida do vinicultor. A água escorrendo sobre folhas de fibra de vidro, demora quarenta minutos para completar essa instalação; depois ela se esvai, retorna, recomeçando o processo…… tudo de novo, imitando o ciclo da vinicultura.

 

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Cristina Iglesias’s “Toward the Ground” (2008) with the door to the temporary installation of Marcella Vanzo’s “Ama” (2005) to the left.

 

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Aima, 2004. Anish Kapoor

 

“Aima” de Anish Kapoor.

A arte de Anish Kapoor está instalada na pequena Capela de San Venanzio no centro do burgo. Essa peça remete à sacralidade do lugar e se torna uma fonte de uma nova espiritualidade.

Para os budistas, a energia vermelha vem do centro da Terra; para os católicos , embaixo está o inferno,  e  ao voltar seus olhos para o alto da Capela e se  deparar com as abóbadas: Lá está o Céu!

Com uma cavidade vermelha e brilhante feita de ferro, o artista está sempre dialogando com os opostos, terra-céu, material-espírito, visível e invisível. Uma claridade que aquece como se fosse um fogo comunal.

Criando um  lugar para contemplação.

 

Castello Di Amma Anish Kapoor, 2004, Castello di Ama, photo Valentina Grandini

Aima de Anish Kapoor, 2004

 

Castello Di Ama Anish Kapoor, 2004, Castello di Ama, photo Valentina Grandini

 

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Kendell Geers – Revolution/Love, 2003

 

Revolution/Love de Kendell Geers

Ele diz que seu desafio era introduzir um trabalho de neon luminoso no Castello di Ama. Esse sinal luminoso seria um simples neon vermelho, sem flashes, sem movimentos. Vermelho do vinho, do sangue, do amor.

A palavra “LOVE” que está contida, lida de modo inverso na palavra  “rEVOLution, faz referência a revolução que acontece a cada processo de colheita. Acompanhando o crescimento, a luta dos homens contra os elementos da natureza, em particular a chuva, que podem atrapalhar esse processo. Também nos remete à revolução na vinicultura do Chianti, graças ao Castello Di Ama.

Só que nenhuma revolução é possível sem AMOR/LOVE.

Amor pelo vinho, pela Terra, pela chuva.

 

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Kendell Geers – Revolution/Love, 2003

 

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Ilya & Emilia Kabakov’s The Observer” 2010

 

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Ilya & Emilia Kabakov’s The Observer” 2010

 

Observação é a chave da verdade, esse é o desafio proposto pela artista russa Ilya Kabakov para o Castello Di Ama.

Como são duas instalações separadas, longe uma da outra, faz com que o visitante participe de uma situação inusitada, como se tivesse envolvido na montagem da obra, tornando se uma testemunha.

Existe um ponto de observação em um compartimento de madeira, nos jardins do Castelo, onde se encontra um telescópio. Ele entra, senta e olha através do telescópio, onde um foco fixo está situado em uma janela iluminada bem distante.

Em uma olhada descuidada você percebe que está testemunhando uma cena familiar do cotidiano, quatro pessoas sentadas em volta da mesa, prontos para saborear uma refeição, porém se você realmente observar com mais atenção, a cena vai se mostrar extraordinária; são apenas um homem e uma mulher, os outros dois personagens que estão ao lado de cada um, são anjos com grandes asas de uma brancura infinita. Nós estamos sempre acompanhados.

 

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“Yo no quiero ver mas a mis vecinos” (2006), Carlos Garaicoa’

 

“Yo no quiro ver mas a mis vecinos” do jovem artista cubano, Carlos Garaicoa, que resolveu impor a sua marca do lado de fora, no campo, perto da Villa Ricucci. Aproveitando a topografia magnífica dessa região de vinícolas, bosques, oliveiras cujas plantações se avizinham. Ideia de muros que separam, reproduzindo fielmente nove das muralhas que mantiveram ou mantem a humanidade separada.

Ao mesmo tempo, ao contrário da Morte, refrão dessas paredes, ele cria um quintal de Segurança e Vida dentro delas.

 

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Carlos Garaicoa “I Don’t Want to See my Neighbors Anymore”/ Yo no quiero ver mas a mis vecinos”. Detalhe do Muro de Berlim

 

 

Apreciar a Arte Contemporânea em um contexto pastoral, é realmente magia.

Vários artistas locais falam sobre o peso histórico dessa província, onde a herança da Renascença é marcante, mas no Castello Di Amma, junto com as suas uvas estão firmemente plantados um outro alimento.

 

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Nas paredes do Castello Di Ama. Foto de M.S.

 

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Nas paredes do Castello Di Ama. Foto de M.S.

 

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Nas paredes do Castello Di Ama. Foto de M.S.

 

Agradeço aos meus amigos HWS e MS, os  seus olhos e sua infinita generosidade.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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