Jackson Pollock e Lee Krasner: amor,pintura,loucura

Jackson Pollock e Lee Krasner - casamento em 1945

Jackson Pollock e Lee Krasner – casamento em 1945

 

O casal  em seu Studio em 1949

O casal em seu Studio em 1949

 

Crises recorrentes (1949)

Crises recorrentes (1949)

 

Jackson Pollock  (1912- 1956)

Nasceu em 1912 em Cody – localidade do estado de Wyoming, nos Estados Unidos, fundada por “Buffalo Bill”. Era o mais novo de cinco filhos de uma família da classe trabalhadora. As dificuldades financeiras e o clima de instabilidade, obrigaram a família a ter uma vida nômade: além de Cody, a família Pollock viveu em Phoenix, Arizona (1913 e 1923); Chico, Califórnia (1917); Janesville , Califórnia (1919); Orland, Califórnia (1921); Riverside, Califórnia (1924) e Los Angeles (1928).
Abandonado pelo pai aos nove anos e pouco apoiado pela mãe, o hipersensível Jackson cresceu mergulhado em sentimentos de medo, instabilidade e baixa auto-estima, todos agravados na adolescência. Os casos de indisciplina escolar sucediam-se à medida que a dependência do álcool aumentava. Fora um período de dois anos em que foi acompanhado por psiquiatras, o consumo excessivo de bebidas foi um hábito do qual nunca  conseguiu se libertar.
O grande sonho de Pollock era ser pintor. Sempre acreditou que poderia ter sucesso nesta profissão, apesar de ter consciência de que só seria possível concretizar o seu sonho se fosse viver em Nova Iorque. Com esse intuito, mudou-se para a “Big Apple” em 1930, onde frequentou as aulas de Thomas Hart  Benton  na Liga dos Estudantes de Belas Artes.
Primeiro na Califórnia e depois em Nova Iorque, nas aulas de Benton, Pollock conheceu os trabalhos dos muralistas mexicanos Diego Rivera e David Alfaro Siqueiros. Interessou-se pela pintura monumental  dos murais mexicanos, pelo impacto  visual das cenas épicas e do ativismo político que representavam. Mas a grande influência viria de Siqueiros, que impressionou Pollock com a originalidade de alguns dos seus materiais e das suas técnicas, entre eles a tinta de esmalte, o “dripping”, o “pouring” e o “airbrushing”. Mais tarde, a carreira artística de Pollock recebeu influências cubistas de Picasso e pós-cubistas, de Miró.

The Key  Pollock 1946

The Key Pollock 1946

 

The tea cup  Pollock 1946

The tea cup Pollock 1946

 

Os primeiros anos de carreira foram difíceis e Pollock teve de conciliar o seu trabalho no Federal Art Project – um programa de apoio às artes visuais promovido pelo Estado, no qual permaneceu de 1938 a 1942 – com outras atividades.
Ao lado da carreira artística, iniciou em 1939 uma terapia para combater o alcoolismo, através de consultas com um psicanalista da escola de Jung. O conceito de “inconsciente coletivo” vai, a partir daqui, influenciar profundamente a sua obra.

O sucesso

O grande salto na carreira de Pollock  deu-se  na década de 40, quando o pintor conheceu aquela que, mais tarde, se tornaria sua mulher: Lee Krasner, artista ligada à arte abstrata. Krasner apresentou Pollock a personalidades influentes do mundo artístico, entre as quais se destacaram o pintor abstrato Willem de Kooning, a colecionadora de arte moderna Peggy Guggenheim e o crítico de arte Clement Greenberg.
Após conhecer o trabalho de Pollock, Peggy Guggenheim contratou-o para expor na sua galeria com um ordenado mensal que lhe permitiu dedicar-se em tempo integral à pintura. Pollock também realizaria, na galeria de Peggy Guggenheim, uma série de exposições individuais. Além disso, a coleccionadora convidou-o a pintar um  mural para a entrada da sua casa de Nova Iorque.

 

Lavander  Pollock 1948

Lavander Pollock 1948

 

Summer time number  Pollock  1948

Summer time number Pollock 1948

 

Number 7  Pollock 1951

Number 7 Pollock 1951

 

 Jackson Pollock e Lee Krasner mudaram-se para East Hampton (Long Island) em 1945, a sudeste de Nova Iorque. Ele entregou-se de corpo e alma à sua arte. Libertou-se da bebida por uns tempos e substituiu a agitada vida noturna de Nova Iorque pelo sossego e inspiração do seu estúdio, encantado com seu relacionamento. Abandonou o cavalete e passou a colocar no chão telas de dimensões gigantescas. Para além das técnicas de “dripping”, “pouring” e “airbrushing”, utilizou o vidro e a areia como materiais. Criou imagens que não se esgotavam nos limites das grandes telas, num estilo “all-over”. Demoliu os limites impostos pelo cubismo, dando origem a um movimento artístico que ficou conhecido por Expressionismo Abstrato e que veio dar credibilidade à pintura americana do pós-guerra. A forma de pintar de Pollock ficou conhecida por “action painting”.

Apesar do automatismo aparente a que estava associado o seu estilo, Pollock  recusava o acaso, assim como o princípio e o fim das coisas. Para ele, as suas pinturas sofriam de um automatismo inicial, mas depressa este dava lugar a um ritual de dança que reunia o como e o porquê, os meios e os fins, o método instrumental e a mensagem expressiva. A característica principal das pinturas de Pollock é a unidade, com a particularidade de serem feitas diretamente, sem esboço. A imagem – abstrata – é construída à medida que vai sendo executada.
Depois da galeria de Peggy Guggenheim, Pollock expôs noutras galerias, sempre aplaudido pelos críticos e pelo público em geral. Dois dos seus trabalhos de grandes dimensões mais famosos foram ” One: Number 31″ (1950) – tela pintada a óleo e a tinta esmalte – e “Autumn Rhythm: Number 30” (1950) – tela pintada a óleo.

Pollock e Krasner

Pollock e Krasner

 

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Casa e Studio Pollock e Krasner

Casa e Studio Pollock e Krasner

 

 

Lee Krasner  ( 1908- 1984 )

Lee Krasner  foi  uma  pintora radical  da primeira geração dos pintores do Expressionismo Abstrato. Durante seis décadas dedicadas à arte, ela explorou  sem descanso técnicas inovadoras na pintura e na colagem.

 

Shellflower  Krasner 1947

Shellflower Krasner 1947

 

Composition  Krasner 1949  Philadelfia Museum of Art

Composition Krasner 1949 Philadelfia Museum of Art

 

Lee Krasner with an early version of Stop and Go 1949

Lee Krasner with an early version of Stop and Go 1949

Lee Krasner

Nasceu em Nova York, no bairro de Brooklin  em uma família  judia ortodoxa russa. Estudou arte em diversas Instituições em NYC  e também com  o influente pintor   alemão, abstrato Hans Hofmann. Trabalhou com projetos de arte e foi membro ativo da União dos Artistas Abstratos Americanos.

Em 1945 casou-se com o famoso, mas problemático pintor Jackson Pollock. Ela ficou na sombra por amor a Pollock, apesar de ser  bem-sucedida e reconhecida no meio artístico. Foi graças a ela que ele conheceu Willem de Kooning, famoso pintor abstracionista alemão e ao crítico Clement Greenberg, entre outras personalidades do meio.

Durante seu casamento, ela desenvolveu uma série de pinturas “Little Image Paintings”. Apesar de serem pequenas, foram consideradas sua maior contribuição à Pintura Abstrato-Expressionista.

Quando seu casamento de onze anos terminou com a morte trágica de Pollock em um desastre automobilístico, Krasner  dedicou o resto de sua vida  a promover a arte de Pollock e continuar seu próprio trabalho. Em 1978 Krasner finalmente foi reconhecida  como  pintora do nível de Pollock, Rothko e outros.

 

Animal Bones  Pollock  Krasner  1950

Animal Bones Pollock Krasner 1950

 

Casa e Studio Long Island

Casa e Studio Long Island

 

Casa por dentro

Casa por dentro

 

Casal com Stella Pollock na cozinha

Casal com Stella Pollock na cozinha

house studio

 

 

Krasner bedroom

Krasner bedroom

 

Living room

Living room

Casal em passeio pelos campos

Casal em passeio pelos campos

 

Spring é uma pequena cidade em East Hampton em Long Island:local do studio/casa do casal Pollock-Krasner.

Peggy Guggenheim foi a benfeitora que  proporcionou a oportunidade da mudança de NYC para Long Island, numa casa antiga, num terreno  incrível com vista para a reserva natural Accabonac Creek.A velha casa não tinha aquecimento, nem água. A sorte foi que logo vieram outros artistas e juntos formaram uma comunidade que foi se abastecendo.

Neste ambiente tranquilo, o casal criou algumas das obras mais célebres do  Expressionismo Abstrato. Porém, foi aqui também o palco de muitas discórdias e brigas entre os dois. Ela aceitou ficar à sombra dele, mas isto a tornou insuportavelmente possessiva.

Mesmo após a morte do marido, ela continuou se dividindo entre NYC e Spring. Pintava nos dois lugares.

Hoje é possível fazer uma visita guiada ao Studio-Casa entre os meses de maio e outubro.

 

Studio- casa nos dias de hoje

Studio- casa nos dias de hoje

Nas fotografias, Pollock é um pintor-ator que se movimenta sobre a tela, na penumbra do seu estúdio, como se estivesse em um palco, e executa movimentos dramáticos ao pintar, entre explosões de criatividade e períodos de tensão. Alguns colunistas da época chegaram mesmo a considerar que a fama de Pollock se devia mais ao glamour e à teatralidade  das fotografias de Namuth do que às telas do próprio artista.
A partir de 1950, a produção artística de Pollock entrou em declínio. O pintor perdeu a inspiração, entrou em estado depressivo e refugiou-se de novo no álcool. O seu casamento desfez-se e a sua pintura deixou de fazer furor. Morreu em 1956, aos 44 anos de idade, quando o carro que conduzia – em estado de embriaguez – se despistou e bateu contra uma árvore, a um quilómetro da sua casa de East Hampton. A morte violenta do pintor transformou a história da sua vida numa fábula trágica.
Hoje em dia, Pollock continua a ser louvado pela crítica e pelo público em geral, que o reconhecem como um dos maiores pintores modernos. A sua maneira de pintar tornou-se uma marca inconfundível da sua obra.

Eu não pinto a natureza, eu sou a natureza.
Jackson Pollock

Filme

Biografia de Jackson Pollock vai da fama à decadência

“Pollock”, último filme da coleção DVDteca Folha, é uma biografia que acaba, como quase sempre neste gênero cinematográfico, pedindo grande empenho dos seus atores. No caso, o diretor e protagonista Ed Harris, cuja atuação (brilhante) foi indicada para o Oscar, e Marcia Gay Harden, que obteve a estatueta de melhor atriz coadjuvante.
Diferenciado também é o viés escolhido por Harris, que por dez anos se preparou para levar às telas a história do genial pintor Jackson Pollock (1912-1956).
A fascinação nasceu pela semelhança física entre ambos, e daí, claro, o reconhecimento do ator de que a arte pictórica de Pollock foi das maiores expressões norte-americanas do século 20. Com equipe e elenco acertados, decidiu também ficar responsável pela direção do longa.
Na vida real, Jackson Pollock foi o grande expoente do “acting painting”, vingado a partir do expressionismo abstrato, escola artística na Nova York dos anos 40 e que foi sua formação.
Pollock, então, pintava sob essa influência até, por volta dos anos 50, começar algo mais visceral, que utilizava quaisquer instrumentos além do pincel, como colheres e pedaços de pau. Pinceladas, riscos e tintas escorridas sobre a tela, que ficava no chão, eram ações comuns e vistas até nas capas dos discos do saxofonista Ornette Coleman. Usuais e nascidas intuitivamente de Pollock, quando, do nada, ele deixou gotejar tinta sobre a enorme tela que pintava e viu, ali, uma nova expressão artística.
Essa primeira vez está numa belíssima seqüência de “Pollock”, que, ao mesmo tempo que exalta a genialidade de seu biografado, também mostra o quanto há de comum nas passagens de sua vida, até o fatal acidente de carro. E seu alcoolismo e pulsão de morte, que o levaram ladeira abaixo, da fama à decadência.

Complexidade
Sua mulher, a também artista plástica Lee Krasner (Marcia Gay Harden), ao mesmo tempo em que largou seu trabalho por amor a Pollock, acabou sufocando-o. Assim como os descaminhos do artista, que ora estava bem e com sua fúria controlada, ora arrasado pelo álcool e pela depressão.
Essa ambigüidade e complexidade dos personagens agradou ao público e à crítica. Há tanto uma câmera que assiste fascinada ao processo criativo do pintor como o registro das suas fraquezas como homem.
Na verdade, Ed Harris sofreu para fazer a versão que pretendia para o seu filme, baseada no livro de Steven Naifeh e Gregory White Smith. Desentendendo-se com não poucos produtores, a cada novo contrato ele tinha que negociar qual montagem teria seu longa-metragem.
No mais, Ed Harris fugiu da glamourização comum a várias biografias cinematográficas para dar espaço a um certo realismo, optando por um tom mais sóbrio nas cenas e deixando a força toda nas obras de Pollock que são mostradas ao longo do filme.

 

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Cena do filme

Cena do filme

 

 

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