Um Passeio pelo Parque Lage no Rio de Janeiro

Com uma área total de 93,5 mil m², o Parque Lage é hoje tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional o IPHAN e é também considerado como patrimônio histórico e cultural da cidade do Rio de Janeiro.

As terras situadas nas margens da Lagoa (atuais bairros da Gávea, Jardim Botânico e Lagoa) eram inicialmente habitados por índios Tamoios

que a denominavam Piraguá  ou Sacopenapã .

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O português Antônio de Salema, jurista formado em Coimbra, Governador e Capitão – Geral da Capitania do Rio de Janeiro (1575-1578), obteve em  sesmaria (1575) este território para aí instalar um engenho de açúcar, a que chamou de Engenho d’El Rei.

Não tendo tido sucesso, o abandonou em 1578 quando de seu regresso a Portugal.

Por Arrendamento enfitêutico, em 1598, assumiu referida área Diogo Amorim Soares, escrivão da alfândega, passando o nome para Lagoa de Amorim Soares.

Diogo Amorim Soares foi expulso da cidade do Rio de Janeiro por corrupção, em 1609, passando então, o engenho ao seu genro Sebastião Fagundes Varela e sua designação para Lagoa dos Fagundes.

Sebastião Fagundes Varela ampliou suas propriedades nesta área, por volta de 1620, estendendo -as dos atuais bairros do Humaitá até o Leblon, constituída por 58 chácaras, um dos grandes latifúndios da à época, periferia do Rio de Janeiro.

Sua bisneta e herdeira, Petronilha Fagundes (1671-1717) casou-se, em 1702, com o jovem oficial de cavalaria português Rodrigo de Freitas Castro de Carvalho, de apenas 16 anos, e para agradá-lo teria batizado todas as suas propriedades com o nome dele, daí a denominação de Lagoa Rodrigo de Freitas.

Ao enviuvar, em 1717, Rodrigo de Freitas Castro de Carvalho regressou a Portugal, para sua Quinta de Suariba, deixando a propriedade nas mãos de seu filho João de Freitas de Castro, deste para Rodrigo Antônio de Freitas Castro e Melo e deste para diversos arrendatários.

A história do Parque Lage, tem início em 1811, quando Rodrigo de Freitas Mello e Castro, um fidalgo da Casa Real, adquire uma das fazendas pertencente a Fagundes Varela o Engenho de Açúcar Del Rei, as margens da lagoa.

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Em 1840, o paisagista inglês John Tyndale, recebe a incumbência de reprojetar a fazenda e imprime à estrutura de seu projeto todo o romantismo encontrado em parques de sua terra natal.

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Em 1589, o parque passa para as mãos de Antônio Martins Lage ( industrial das áreas carboníferas e naval) , por um processo de compra e venda. Neste momento, recebe o nome de “Parque dos Lage”, o qual mais tarde, no ano de 1900, passa a seus três filhos como herança.

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Em 1913, a chácara é comprada pelo Dr. César de Sá Rabello, permanecendo como sua propriedade até o ano de 1920, quando Henrique Lage, neto de Antônio Martins Lage, consegue reaver a antiga propriedade da família.

Dotado de uma veia para negócios o que o empolgava em todas as iniciativas, Henrique Lage  já no ramo da indústria dos transportes marítimos, herdada pelo pai, Incentivou a exploração de carvão das minas que herdara de seus antecessores.

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Na década de 1920, Henrique deu início a sua remodelação, convidando o arquiteto italiano Mario Vodret como projetista do palacete que fora de seu pai. Seu estilo era bastante diferente, mesclando diferentes tendências da época, enquadrando seus trabalhos no período da arte que se denominava “eclético”, o qual agradava Gabriella Besanzoni, cantora lírica esposa de Henrique Lage.

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Gabriella Besanzoni foi uma cantora lírica italiana que, após uma apresentação no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, com sua bela voz mezzo-soprano despertou a paixão do abastado empresário carioca com quem se casou em 1925.

 

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O palacete ficou famoso e transformou-se em palco de reuniões sociais com conhecidos saraus e reunião de artistas e intelectuais.

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Na década de 1960 parte do terreno chegou a ser comprada pelo empresário Roberto Marinho para a construção da sede da TV Globo. Entretanto toda a propriedade foi desapropriada e convertida em um parque público.

Em 1967, Glauber Rocha filmou “Terra em Transe” no Parque Lage, e em 1968, a piscina ficou nacionalmente famosa quando Joaquim Pedro de Andrade, fez dela o grande caldeirão da cultura brasileira em “Macunaíma”. O momento era de total efervescência e dois grandes cineastas brasileiros filmavam seus clássicos utilizando o Palacete como locação em plena ditadura militar.

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Durante a segunda metade da década de 1970, reuniram-se nesse ambiente transdisciplinar cerca de quarenta artistas de peso, tais como Lina Bo Bardi, Mario Pedrosa, Celeida Tostes, Claudio Tozzi, Paulo Herkenhoff entre outros… As 65 oficinas oferecidas ao público definiram a escola como um dos ambientes mais estimulantes da cidade, marcado pela liberdade de expressão que desafiava o academicismo e a censura imposta pelo regime militar.

Hoje no palácio, funciona a Escola de Artes Visuais do Parque Lage, uma das mais famosas do país, criada em 1975 pelo Departamento de Cultura da Secretaria do Estado de Educação.

 

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Fontes: Wikipedia

                  Coluna Rio & Cultura

                  EAV – Governo do Rio de Janeiro

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