A São Paulo de Hildegard Rosenthal

Hildegard Rosenthal

Hildegard Rosenthal

 

A São Paulo de Hildegard Rosenthal – Fotos da década de 1940
Na década de 1940, em plena expansão populacional e industrial que transformaria a capital paulista numa metrópole, São Paulo foi documentada pela fotógrafa suíça Hildegard  Rosenthal (1913-1990).

Rosenthal chegou ao Brasil em 1937, fugindo do nazismo. Em São Paulo, se tornaria uma das primeiras fotojornalistas da imprensa nacional, realizando reportagens para veículos estrangeiros e nacionais, como os jornais O Estado de S. Paulo e Folha da Manhã.

Junto com os fotógrafos  Militão Augusto de Azevedo (1837-1905), Guilherme Gaensly (1843-1928) e Aurelio Becherini (1879-1939), Hildegard Rosenthal construiu a memória fotográfica da São Paulo “antiga”.

As imagens deste artigo fazem parte do acervo do Instituto Moreira Salles e estão no livro Metrópole. (Alexandre Belém)

 

Livro  Metrópole

Livro Metrópole

 

 

Uma das mais importantes fotógrafas brasileiras da primeira metade do século XX,  Hildegard Rosenthal tem sua história e muitas de suas fotos publicadas num livro editado pelo  Instituto Moreira Salles, com o título Metrópole, Hildegard Rosenthal. Nascida na Suíça, mas criada na Alemanha, Hildegard chegou a São Paulo em 1937 e, a partir daí, registrou com esmero a vida da cidade. Morreu aos 90 anos, em 1990. É reconhecida como a “fotógrafa das sombras” e gostava de imagens desfocadas. Durante muitos anos foi fotojornalista de agências como a Press Information. Sua obra fotográfica constituída por cerca de 3.400 negativos da autora alemã (1913-1990).Foi “redescoberta” em 1974 pelo professor Walter Zanini.

 

Vendedor de frutas  1938

Vendedor de frutas 1938

 

Hildegard Rosenthal auto-retrato

Hildegard Rosenthal auto-retrato

 

Hildegard e Segall  1939-41

Hildegard e Segall 1939-41

 

Metrópole: Hildegard Rosenthal

Com mais de 100 fotografias feitas nos anos 1940 por Hildegard Rosenthal, uma das pioneiras do fotojornalismo brasileiro, o livro Metrópole tem organização e texto de abertura da historiadora Maria Luiza Ferreira de Oliveira e um conto de Beatriz Bracher, inspirado na obra da fotógrafa.

A publicação é dividida em cinco partes. A primeira, “Cenas urbanas”, registra o olhar peculiar de Rosenthal sobre a São Paulo da época. Na seção “Edifícios e grafismos”, as imagens da fotógrafa tornam-se um pouco mais abstratas e ressaltam as linhas curvas de prédios, o verticalismo das plantas e a simetria entre edifícios vizinhos. Em “Interior”, é possível observar os romeiros de Pirapora do Bom Jesus, ou o espetáculo de um circo, com marionetes e máscaras. Ela também se interessou por fazendas, escolas e, principalmente, pelo universo popular, seja da religiosidade, das crianças ou do trabalho.

“Noite/Chuva” é um recorte do trabalho de Rosenthal que privilegia a existência da cidade não apenas em seus monumentos ou enquadramentos ensolarados e bem montados. Nas imagens feitas na chuva, a fotógrafa mostra a fragilidade do espaço, incertezas, poças pelo chão. Hildegard Rosenthal também fotografou pessoas famosas. Na seção “Retratos”, encontramos imagens de pintores e escritores. Lasar Segall, Anatol Rosenfeld, Jorge Amado e Alfredo Volpi foram alguns dos retratados.

 

 

Autor – Hildegard Rosenthal

 

Jornaleiro 1939

Jornaleiro 1939

 

Público assistindo a uma partida de futebol

Público assistindo a uma partida de futebol

 

 Alfredo Volpi à esq., Paulo Rossi Osir em pé e Hilde Weberem  1942

Alfredo Volpi à esq., Paulo Rossi Osir em pé e Hilde Weberem 1942

 

Banca de Revistas

Banca de Revistas

 

hildegardRua Direita, 1939

Rua Direita 1939

 

Zurique, Suíça, 1913 — São Paulo, SP, 1990

Biografia

Estudou fotografia com Paul Wolf em Frankfurt. Veio para o Brasil em 1937, radicando-se em São Paulo. Trabalhou como correspondente da agência Press Information, produzindo reportagens culturais para o Brasil e o exterior. Colaborou com o jornal O Estado de S. Paulo e a revista A Cigarra. Em suas reportagens documentou a cidade de São Paulo e o interior do estado, além de algumas cidades do sul do país. Retratou ainda personalidades da cultura brasileira. Fotografou profissionalmente até os anos 1950. Em 1977 foi homenageada durante a 14ª Bienal Internacional de São Paulo. Em 1996 o Instituto Moreira Salles adquiriu seu arquivo de aproximadamente 3.000 negativos.

Mostras individuais

1974 – Hildegard Rosenthal: fotografias, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo

1981 – Salão Fuji, São Paulo

1984 – Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo

1999 – Hildegard Rosenthal: cenas urbana, Instituto Moreira Salles, São Paulo

Exposições coletivas

1975 – Memória Paulistana, Museu da Imagem e do Som, São Paulo

1977 – 14ª Bienal Internacional de São Paulo

1979 – 15ª Bienal Internacional de São Paulo

1980 – O homem brasileiro e suas raízes culturais, Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand

1980 – 1ª. Trienal de Fotografia, Museu de Arte Moderna de São Paulo

1992 – Retrato de artista, Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand

1993 – Fotografia Brasileira Contemporânea: anos 50 a 70, 1º. Mês Internacional da Fotografia, Sesc Pompéia, São Paulo

1996 – Brasil, um refugio nos trópicos, Centro Cultural São Paulo

1997 – A cidade dos artistas, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo

 

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Mercado Municipal

Mercado Municipal

 

Avenida São João

Avenida São João

 

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Bonde

Bonde

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